Vamos entender de uma vez por todas!
O capacitismo é um termo que se refere à discriminação e ao preconceito contra as pessoas com deficiência. Infelizmente, essa forma de discriminação é amplamente presente em nossa sociedade, resultando em exclusão e dificuldades para as pessoas com deficiência.
Mais que um termo utilizado apenas para indicar um grupo de pessoas, no caso as pessoas com deficiência, o capacitismo tem sido adotado por pesquisadores como uma forma de gerar, seja do ponto de vista teórico conceitual, seja do ponto de vista político, uma visão mais ampla acerca da deficiência.
A Professora Adalgisa Melo afirma que o capacitismo retrata "uma postura preconceituosa que hierarquiza as pessoas em função da adequação dos seus corpos à corponormatividade. É uma categoria que define a forma como as pessoas com deficiência são tratadas de modo generalizado como incapazes (incapazes de produzir, de trabalhar, de aprender, de amar, de cuidar, de sentir desejo, de ter relações sexuais etc.), aproximando as demandas dos movimentos de pessoas com deficiência a outras discriminações sociais como o sexismo, o racismo e a homofobia".
A Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada em 2006 pela Organização das Nações Unidas, trata o capacitismo como um conceito político que visa dar nome a todas as formas de discriminação contra as pessoas com deficiência que, apesar de expressamente combatidas por normativas nacionais e internacionais, afetam drasticamente a vida destas pessoas.
A exigência de uma constituição corporal padrão é tão forte, que quem não atende a estes padrões é desconsiderado em sua condição de ser humano. Por esta razão, é recorrente assistirmos ocasiões em que, sob a alegação da deficiência, pessoas são descartadas e, mais que isso, sua presença causa incômodo e repulsa em determinados ambientes, inclusive no ambiente profissional.
A lógica capacitista se configura como uma mentalidade que lê a pessoa com deficiência como não igual, incapaz e inapta tanto para o trabalho quanto para, até mesmo, cuidar da própria vida e tomar as próprias decisões enquanto sujeito autônomo e independente. Tudo isso porque, culturalmente, construiu-se um ideal de corpo funcional tido como normal para a raça humana, do qual, portanto, quem foge é tido, consciente ou inconscientemente, como menos humano (ANDRADE, 2015, p. 03).
Uma das principais consequências do capacitismo é a exclusão social. Pessoas com deficiência muitas vezes são marginalizadas e impedidas de participar plenamente da sociedade devido a estereótipos e preconceitos arraigados. Essa exclusão pode levar a sentimentos de isolamento, solidão e baixa autoestima, além de dificultar o acesso a oportunidades educacionais, profissionais e sociais.
Outra consequência do capacitismo é a falta de acessibilidade. Muitas vezes, as pessoas com deficiência enfrentam barreiras físicas, como falta de rampas e elevadores em edifícios, ou barreiras de comunicação, como a ausência de intérpretes de língua de sinais. Essas limitações dificultam o pleno exercício dos direitos e a participação em atividades cotidianas, como ir a escolas, locais de trabalho, eventos culturais e até mesmo em espaços públicos.
Além disso, o capacitismo também pode afetar a saúde mental das pessoas com deficiência. O constante enfrentamento de preconceitos e discriminação pode levar a altos níveis de estresse, ansiedade e depressão. A falta de oportunidades e a sensação de não ser valorizado ou reconhecido como um membro igual da sociedade podem ter um impacto significativo na saúde mental dessas pessoas.